Livro retrata mulheres que sobrevivem quebrando pedras
Um livro fotográfico tem chamado atenção ao revelar a dura rotina de mulheres que trabalham em pedreiras quebrando rochas sob sol intenso para produzir paralelepípedos. A obra reúne 58 fotografias documentais que retratam a força, a resistência e a realidade social de trabalhadoras que enfrentam jornadas exaustivas para garantir o sustento de suas famílias.
As imagens mostram mulheres que passam horas ao ar livre, utilizando ferramentas manuais para transformar pedras brutas em paralelepípedos, atividade considerada extremamente desgastante e historicamente associada ao trabalho masculino. Apesar disso, muitas delas desempenham a função diariamente e se tornaram protagonistas nesse cenário de sobrevivência.
Cada paralelepípedo produzido é vendido por cerca de R$ 0,15, valor que evidencia o contraste entre o esforço físico exigido e o retorno financeiro obtido. Mesmo diante das dificuldades, essas trabalhadoras seguem firmes em uma atividade que, para muitas famílias, representa a principal fonte de renda.
O livro também destaca que muitas dessas mulheres começaram a trabalhar ainda jovens nas pedreiras, acompanhando pais, maridos ou outros familiares. Com o passar do tempo, o ofício acabou se tornando uma tradição que atravessa gerações, perpetuando uma realidade marcada pela resistência e pela luta diária.
Além de registrar o cotidiano dessas trabalhadoras, a obra busca dar visibilidade a histórias frequentemente invisibilizadas, mostrando a força feminina em ambientes historicamente dominados por homens e chamando atenção para as condições de trabalho enfrentadas nas pedreiras.
Mais do que um registro fotográfico, o livro se transforma em um documento social sobre trabalho, desigualdade e resistência feminina, revelando a dignidade de mulheres que, com esforço diário, transformam pedra em sustento.

-(1)-(1).gif)